sábado, 9 de agosto de 2014

Sem Lula, Dilma visita Osasco e tenta diminuir rejeição em São Paulo

Eleições 2014

Apesar das visitas frequentes ao Estado, onde enfrenta forte resistência do eleitorado, a presidente-candidata diz que ´não será sempre assim´(vai que cola)

A presidente Dilma Rousseff e o candidato ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha (PT), durante campanha em Osasco, São Paulo
A presidente Dilma Rousseff e o candidato ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha (PT), durante campanha em Osasco, São Paulo (Marcos Bezerra/Futura Press)
Pela quarta vez em São Paulo em uma semana, a presidente Dilma Rousseff negou que concentrará sua agenda de campanha no maior colégio eleitoral do país. O Estado, com 31,9 milhões de eleitores, é onde a petista enfrenta maior nível de rejeição: 47%, de acordo com a última pesquisa Datafolha. "São Paulo é o maior Estado em população do Brasil, então não é possível desconsiderá-lo", disse. Para deixar claro que não dedicará sua agenda apenas aos paulistas, Dilma lembrou uma visita recente ao Amapá e disse que em uma campanha presidencial é preciso visitar as regiões mais populosas do país, citando Minas Gerais, Bahia, Ceará, Rio Grande do Sul e Paraná. "Espero que quando eu der um tempo maior (entre visitas feitas a São Paulo) vocês não digam que eu não estou privilegiando São Paulo. Quero dizer que nem toda semana será assim."
A presidente-candidata desfilou pelo calçadão de Osasco em cima de um caminhão, acompanhada pelo candidato pelo PT ao governo do Estado, o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, do presidente do partido, Rui Falcão, do candidato a novo mandato no Senado Eduardo Suplicy e das ministras Marta Suplicy (Cultura) e Eleonora Menicucci (Secretaria de Política para as Mulheres). Outros nomes do partido, como o prefeito de Osasco, Jorge Lapas (PT), o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho e o ex-prefeito de Osasco e presidente do PT em São Paulo, Emídio de Souza também estavam presentes. O ex-presidente Lula não compareceu.

Também neste sábado, Dilma voltou a falar para as mulheres, como fez em evento desta sexta em templo evangélico da Assembleia de Deus. A petista enfatizou que as mulheres são maioria entre os que se formam pelo Pronatec, programa voltado para a formação técnica. Outro ponto destacado pela candidata foi o Mais Médicos, principal bandeira da candidatura de Padilha na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. “Aqui em Osasco há algo extremamente relevante: o campus da universidade federal aberto em 2011", disse. "E agora a cidade terá uma faculdade de medicina que será aberta como um fruto do programa Mais Médicos.”

A petista também aproveitou o discurso para criticar o PSDB, lembrando a crise de falta de água em São Paulo. Ao dizer que o governo federal está promovendo a canalização de um braço morto do Rio Tietê, em Osasco, a presidente se confundiu e disse que era um “braço seco”. Para reverter a gafe, ela dirigiu críticas à gestão de Geraldo Alckmin: “O seco é pelo Cantareira (Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento da Grande São Paulo), e o morto é pelo volume morto”, disse.

Sobre a Petrobras, Dilma ignorou a crise enfrentada pela estatal, provocada por uma série de escândalos, que tem como pivô central as irregularidades na compra da refinaria de Pasadena (EUA). Ela usou sua fala para tentar defender a gestão petista da estatal dizendo que o governo do ex-presidente Fernando Henrique “conseguiu afundar uma plataforma de petróleo” e que “eles queriam tirar o Bras da Petrobras”. A presidente esqueceu-se de citar ainda a série de perdas que a gestão centralizadora do PT tem provocado à petroleira, que anunciou na noite de sexta um lucro 20% menor no segundo trimestre do ano.

Perfil de jornalistas – Dilma comentou ainda matéria divulgada pelo jornal O Globo, que revelou que perfis de dois jornalistas no site Wikipedia receberam alterações a partir da rede do Palácio do Planalto. Segundo a reportagem do jornal, as mudanças tinham como objetivo criticar os profissionais. A petista condenou o episódio e disse ter pedido que a Casa Civil, a Controladoria Geral da União e o Ministério da Justiça apurem o caso, “Minha opinião é que é absolutamente inadmissível. Se alguém, individualmente quiser fazer, que o faça, mas que não coloque o governo no meio”.

Cachorro-quente – Conhecida por seu habitual mau humor, a presidente mal chegou a Osasco e recebeu uma série de beijos e abraços de fãs e militantes, que deixaram diversas marcas de batom em seu rosto. Ao se aproximar de jornalistas para conceder entrevista, ela seguiu limpando seu rosto das marcas. Ao final do evento, ela tentou se aproximar da população dizendo que não poderia deixar a cidade sem comer o “famoso cachorro quente do calçadão”. Convidada, a presidente experimentou o sanduíche e disse que as barraquinhas representam o espírito empreendedor e trabalhador da população local.