sábado, 9 de agosto de 2014

Mulher congela criança após o nascimento

Um crime que chocou a cidade de Sombrio foi esclarecido na tarde de sexta-feira, pelo delegado Luiz Otávio Pohlmann em entrevista coletiva. Uma mulher de 35 anos embrulhou a filha recém-nascida numa sacola plástica e depositou o corpo da criança ainda viva dentro do congelador, após dar à luz dentro do banheiro na residência onde morava, no interior do município.
De acordo com a autoridade policial, a mulher estava de oito meses e escondia a gravidez da família. O corpo do bebê foi encontrado no dia 31 de julho, quatro dias depois do início das investigações. Os policiais suspeitavam que a mulher tivesse cometido um aborto, porém, a declaração dela surpreendeu até mesmo a equipe que trabalhou no caso.
“Ela sentiu dores e foi até o banheiro, onde deu à luz a criança. Logo depois se dirigiu até um armário, pegou uma faca e cortou o cordão umbilical. Colocou a criança numa sacola plástica e largou no freezer da geladeira. Depois disso, se dirigiu a sua cama, onde se sentiu mal e foi conduzida ao hospital”, detalhou o delegado.
Conforme Pohlmann, a mulher negou estar grávida, mas os exames médicos confirmaram a gravidez. “Na terça-feira da semana passada, ela falou que tinha um problema de estômago, não acreditamos na versão e na quinta-feira, ela contou os fatos. Na sexta-feira, ela foi novamente interrogada e contou minuciosamente o que de fato aconteceu”, descreveu.
“Estamos trabalhando com a hipótese de infanticídio ou homicídio, tendo em vista que não temos ainda o resultado da análise do psiquiatra para saber se ela estava em estado puerperal, que é condição para o crime de infanticídio ou se ela estava em plenas condições de entender aquilo que estava acontecendo, então respondendo pelo crime de homicídio”, explicou.
No decorrer das diligências foi possível traçar um perfil da mulher. “Há dois anos, o companheiro cometeu suicídio. Ela tem dois filhos e o menor tem problemas de saúde. Ela já vem de uma família com certa desestrutura que culminou com o ato de desespero. Em depoimento ela contou que por vergonha da mãe e dos filhos, ela não contou sobre a gravidez”, explanou. “Trata-se de um caso repugnante, mas com uma versão que deve ser considerada”, avaliou o delegado, levando em consideração o estado psicológico da acusada.
A mulher ajudou nas investigações e segue em liberdade. No entanto, o delegado afirmou que nos próximos dias fará o pedido de prisão preventiva. “O indiciamento dela já é certo que vai ocorrer por ocultação de cadáver. Estamos no aguardo do laudo psiquiátrico para ver se ela será indiciada também por infanticídio ou homicídio”, completou.
A identidade do pai da criança foi não divulgada. “A paternidade para o fim da investigação se torna desnecessária e não há nenhum indício de participação além dela no fato”, concluiu.
Texto: Morgana Rosso
Foto: Rafael Ribeiro/revista w3/especial/jm